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terça-feira, 8 de março de 2016

MÃE CULPA CHÁ DE SANTO DAIME PELA MORTE DE RIAN BRITO

Brita e o filho, Rian (Foto: Reprodução/ Facebook)

Um dia após cremar o corpo de Rian Brito, neto de Chico Anysio, a mãe do jovem resolveu falar sobre o mistério que ainda cerca a morte do músico aos 25 anos. Ele foi encontrado morto por afogamento numa praia de Quissamã, no Norte Fluminense, na última quinta-feira, após nove dias de sumido. Em carta enviada com exclusividade ao EXTRA, a atriz e cantora Brita Brazil relata que o filho costumava tomar a erva alucinógena indígena Ayhuasca (mais conhecido como Santo Daime), oferecido nos encontros da seita Porta do sol, cuja fundadora, no Rio, é a atriz Leona Cavalli. No fim de semana, o nome de Leona foi citado por Brita em seu Facebook e acabou gerando muitas especulações. Ontem, a própria atriz usou o seu perfil na rede social para dizer que nada tinha a ver com o sumiço de Rian e informar que teve um único encontro com ele e a mãe na sede da seita, em Pedra Branca, na Zona Oeste, em 2014.

Em resposta, Brita explicou que o filho frequentava os encontros da Porta do Sol havia um ano e quatro meses e que ele participou de quatro rituais. Ela afirma ao EXTRA que, desde então, Rian costumava "ouvir vozes do chá" e "procurar lugares bonitos para se isolar e meditar por dias", mas "sempre voltava para casa".

"... Com o convite de um grande amigo de infância, foram ao tal chá, e Rian começou a ficar sério, diferente, largou a música, coisa que fazia umas 13 horas por dia, perdeu o humor, e começou a ficar numa desenfreada mania de jejum e meditação. Sua aparência mudou totalmente. Seu jeito também. Ficou muito mais introspectivo. (...). O total foram 1 ano e 4 meses do mais profundo inferno que o Rian viveu. Ele perdeu sentido de tempo, grana, de absolutamente tudo", narra Brita.

A mãe de Rian relatou ainda que, preocupada com o estado do filho, que não comia havia dias, decidiu visitar a sede carioca da Porta do Sol com ele, em dezembro passado, e que ela mesma tomou o tal chá com Rian, com o intuito de saber o que estava se passando com ele.

"...Para participar tem que pagar R$ 120, tomar o chá e ficar com os olhos fechados pra entrar em alfa. Na entrada, você dá o seu nome e assina um termo que diz que se você tomar tais remédios de psiquiatria, não pode fazer uso do chá, mas só neste caso. Como eu e Rian nunca tivemos, graças a Deus, nada a ver com psiquiatria, assinamos. Era a quarta vez dele, e a primeira (e última) minha. Mas como mãe, sabendo que íamos entrar em alfa, fiz o contrario, não fechei os olhos e dominei minha mente, para não deixar a lucidez, pois havia ido lá apenas pra saber porque meu filho estava num estado estranho e não comia praticamente nada. No meio da experiência de quatro ou cinco horas, você ingere primeiro um copo e durante a sessão mais duas doses pequenas que ficam te oferecendo mesmo que você esteja pra lá de Marrakesh. O Rian mal conseguia andar, e não falava coisa com coisa".

No texto, a mãe de Rian explica que seu objetivo é fazer uma alerta sobre o uso da erva e afirma que não pretende processar ou culpar Leona Cavalli pela morte do filho.

"O que queria fazer, repetindo seu nome e te convidando para a primeira fila do crematório do meu filho, era pra que vc tomasse consciência do estrago que o chá de Ayhuasca pode gerar a uma família. Era pra você sentir por uma hora na pele, o que sentirei para toda curta vida que me resta. E, principalmente, que parasse não só você, como todas as Igrejas do Brasil, a fornecer esta química para as pessoas. Muitas pessoas podem ser alérgicas, incompatíveis quimicamente e disparar algo terrível em suas mentes pro resto de suas vidas...”.

Brita acredita, no entanto, que o motivo de o filho ter escolhido uma praia em Quissamã para meditar nada teve a ver com a seita.

— As fugas eram assim: o máximo que ele ia foi Arraial do Cabo. A voz que do chá que falava com ele. Tenho a impressão que ele escolheu um lugar perto, uma praia deserta no Rio de Janeiro para meditar e se isolar. Quissamã é um lugar superatraente —, acredita.

Leona rebate: ‘Vou ter que processar’

Nesta segunda-feira, a página da internet da Porta do Sol foi tirada do ar sem nenhuma justificativa. Nela consta o nome de Leona como dirigente-fundadora e também uma página em que explica as restrições ao chá de Ayahasca, uma delas explicando que a erva não pode ser tomada com "remédios controlados".

— Isso é um absurdo. Mas eu não posso entrar nessa questão agora, ele foi cremado ontem... De toda maneira, eu só posso te dizer que esse é um sacramento regularizado no Brasil e inscrito no Congresso Nacional Antidrogas. Isso que ela está falando, ela está falando por uma visão dela. Eu sinto muito realmente, fico muito tocada com a dor dela. Preferia não ter que fazer isso. Mas, infelizmente, chegou num ponto absurdo, e eu vou ter que tomar medidas jurídicas e criminais. Vou ter que processar— disse Leona ao EXTRA.

A atriz também explicou que nada tem a ver com o fato da página Porta do Sol ter saído do ar.

— A página está com problema, ela está entrando e caindo. Também soube que a página dela (da Brita) no Facebook também saiu do ar. Não temos nada a ver com isso. E a página da Porta do Sol, eu já liguei para o web design, e amanhã (terça-feira) já vai estar no ar novamente.

AUTOR: EXTRA

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