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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

MORRE AOS 61 ANOS O JORNALISTA CEARENSE NENO CAVALCANTE

Neno Cavalcante assinava a coluna É, do jornal Diário do Nordeste, até a semana passada/PATRÍCIA ARAÚJO/AGÊNCIA DIÁRIO

Morreu, na tarde de ontem, o jornalista e colunista Neno Cavalcante aos 61 anos. José Nairton Quezado Cavalcante foi encontrado pela família no apartamento onde morava, na Praia de Iracema. A causa da morte não foi confirmada. Ele deixa duas filhas e três netos.

O velório começou na noite de ontem e se estende pela manhã de hoje, na funerária Ethernus, rua Padre Valdevino. O corpo será cremado.

Neno era o caçula dentre nove irmãos, natural do município de Aurora, a 460 quilômetros de Fortaleza. O irmão mais velho é Lúcio Brasileiro, colunista do O POVO. A estreia de Neno no jornalismo foi na década de 1970, quando Lúcio editava a revista Fame - encartada no O POVO. Passou a integrar a equipe do jornal Diário do Nordeste desde a fundação do periódico, em 1981, sendo contemporâneo dos jornalistas Ronaldo Salgado e Agostinho Gósson.

O jornalismo opinativo foi a marca de Neno, que assinou a coluna “É…” até a semana passada, quando escreveu a despedida antes de tirar férias. Entre 1999 e 2013, apresentou o programa TeveNeno na TV Diário. Na TV Manchete, ele comandava atração de mesmo nome desde 1993. “Enquanto a geração nova pensa no Neno como jornalista de TV, ele na verdade é o jornalismo impresso”, ressalta o jornalista Tadeu Feitosa.

Ética e bom humor
“Era um jornalista independente e sincero”, resume o advogado Paulo Quezado, primo de Neno. Para o ex-colega e amigo Nilton de Almeida, vice-presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), o trabalho dele foi relevante pelo tom crítico adotado para apontar as falhas do poder público. Na profissão, é lembrado pela ética e pelo bom humor. “Sempre soube viver bem a vida. Gostava de praia e vivia sempre alegre”, recorda Nilton.

Da convivência de quase 30 anos na redação, o jornalista e professor Anderson Sandes guarda a memória das conversas sobre a profissão e os aspectos da vida.

“O caráter e a ética dele eram muito marcantes. E a coluna dele era perspicaz.

Ele brincava e dava uma nova dimensão aos fatos”, comenta.

Para a jornalista e familiar Ana Quezado, as lembranças são da busca de Neno pela liberdade de falar o que queria e da forma como gostava. Da participação na TV, ele adotou bordões como “é o novo” para lembrar causos antigos e “por que você é desse jeito?” ao criticar figuras públicas.

AUTOR: O POVO

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